BRASILEIRA FAZ HISTÓRIA E ESTÁ NA FINAL DA PATINAÇÃO ARTÍSTICA EM PYEONGCHANG

Em Sochi 2014, com apenas 18 anos, Isadora Williams tornou-se a primeira sul-americana a competir na patinação artística em uma edição dos Jogos Olímpicos.  Quatro anos depois, a brasileira fez história mais uma vez e foi além. Isadora encantou o público presente à Gangneung Ice Arena nesta terça-feira, dia 20, e se classificou entre as 24 melhores patinadoras do mundo que disputarão o Programa Longo dos Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang 2018. A disputa final da patinação artística está marcada para às 22h (horário de Brasília) da quinta-feira, dia 22.

Com uma apresentação impecável, Isadora Williams mostrou que se supera em competições importantes. Ao som de Halleluja (de Leonard Cohen na versão de K.D. Lang), a brasileira fez a maior pontuação dos elementos técnicos e do Programa Curto de sua vida (55,74) para alcançar a 17ª colocação entre as 30 participantes. Essa é a primeira vez que uma atleta sul-americana passa para o Programa Longo dos Jogos Olímpicos, também chamado de Livre, porque as atletas não precisam realizar os movimentos obrigatórios que caracterizam o Curto.

A brasileira ainda ficou à frente da quinta, sétima e oitava colocadas do último Campeonato Europeu de Patinação Artística, realizado em janeiro de 2018. “Estou sentindo muito orgulho de representar o Brasil no Programa Longo dos Jogos Olímpicos pela primeira vez. Eu estou muito feliz. Fiz a apresentação que queria ter feito, uma apresentação limpa, sem erros. Realizei meu sonho, que era fazer uma apresentação perfeita nos Jogos Olímpicos”, disse Isadora.  “Eu estava muito nervosa antes da prova. Mas já me senti muito bem no treino da manhã. Foi a melhor apresentação da minha vida. Foi um dia muito divertido hoje”, afirmou a brasileira, de 22 anos.

Em 2014, nos Jogos Olímpicos de Sochi, Isadora não conseguiu passar para o Programa Longo, ficando em último entre as 30 concorrentes no Curto. Isadora sofreu muito por não ter se apresentado bem em sua estreia olímpica. Mas não desistiu de seu sonho. Saiu da casa dos pais e foi morar sozinha em Little Falls, no estado de Nova Jersey (EUA), para treinar sob a coordenação dos técnicos Igor Lukanin e Kristin Fraser. A jovem amadureceu suas apresentações e incorporou novos elementos.

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A rotina da brasileira é dura. Isadora estuda Nutrição e Negócios do Esporte na Montclair State University, além de dar aulas de patinação para crianças. Como se não bastasse, Isadora ainda treina ao ponto de se colocar entre as 20 melhores atletas do mundo em sua modalidade. Nesta terça-feira, a brasileira tirou um peso das muito grande das costas. Peso que carregava desde Sochi-14. “Eu precisava apagar a decepção de Sochi. Foram três anos de muito sacrifício. Estou me sentindo muito mais leve. O meu objetivo em Sochi eu fiz aqui na Coreia. Agora eu vou ter uma memória boa dos Jogos Olímpicos”, disse.

Filha de mãe brasileira e pai norte-americano, Isadora Marie Williams nasceu em Marietta, nos Estados Unidos, e possui dupla cidadania. Começou a patinar aos cinco anos, após o pai a levar em um rink onde moravam. Aos nove, quando já participava de competições nos Estados Unidos, manifestou seu desejo de representar o Brasil na modalidade. Estreou pelo país em março de 2010, no Mundial Júnior de Patinação Artística realizado na Holanda. Em 2013, conquistou a 25ª colocação no Mundial Senior, ainda hoje a melhor marca brasileira na competição. No mesmo ano, Isadora Williams conquistou uma das vagas olímpicas disponíveis no Troféu Nebelhorn e tornou-se na primeira sul-americana a participar dos Jogos Olímpicos de Inverno na patinação artística, em Sochi 2014.

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